Sacramentos – Eucaristia

Queridos leitores, a paz!

Dando sequência as reflexões sobre os Sacramentos, hoje falamos um pouco sobre a Eucaristia. Sacramento este de iniciação cristã, do qual nos alimentamos para termos forças na caminhada diária, na luta contra o mal e o pecado.

In corde Iesu,

Equipe Doutrina Católica.

Eucaristia

Doutrina Católica

            A Sagrada Eucaristia é o alimento da alma, é o próprio Cristo que se faz presente em Corpo, Sangue, Alma e Divindade no pão e vinho. Não há motivos para não acreditar e só o faz quem acredita em qualquer coisa, como gnomos, fadas, bruxas…

Quem diz não a Eucaristia nega o Sacrifício do Calvário, nega ao próprio Jesus que disse “Eu estarei até o fim contigo” (Mt 28, 20).

Muitos questionam a presença real de Cristo na Eucaristia, porém se analisarmos com coerência o que a Bíblia nos diz, veremos que a Sagrada Tradição Apostólica não falha ao afirmar que Cristo está verdadeiramente presente na Santa Comunhão. A fim de provar esta verdade explícita, além das prefigurações do Antigo Testamento, citaremos, inicialmente, algumas passagens nas quais o próprio Cristo faz tal afirmação. No livro de João cap. 6, 35, temos Jesus Cristo dizendo: “Eu sou o pão da vida. Quem vem a mim não terá fome, e quem acredita em mim nunca mais terá sede”. E mais diante do versículo 48-50, Jesus diz novamente “Eu sou o pão da vida. Os pais de vocês comeram o maná no deserto e, no entanto, morreram. Eis aqui o pão que desceu do céu: quem dele comer nunca morrerá.” E continuou como podemos observar do versículo51 a 59:

E Jesus continuou: “Eu sou o pão vivo que desceu do céu. Quem come deste pão viverá para sempre. E o pão que eu darei pela vida do mundo é a minha carne.” Disputavam, pois, os judeus entre si, dizendo: Como pode este dar-nos a sua carne a comer? Disse-lhes Jesus: “Em verdade, em verdade vos digo: Se não comerdes a carne do Filho do homem, e não beberdes o seu sangue, não tereis vida em vós mesmos. Quem come a minha carne e bebe o meu sangue tem a vida eterna; e eu o ressuscitarei no último dia. Porque a minha carne verdadeiramente é comida, e o meu sangue verdadeiramente é bebida. Quem come a minha carne e bebe o meu sangue permanece em mim e eu nele. Assim como o Pai, que vive, me enviou, e eu vivo pelo Pai, assim, quem de mim se alimenta, também viverá por mim. Este é o pão que desceu do céu; não é como o caso de vossos pais, que comeram o maná e morreram; quem comer este pão viverá para sempre.” Estas coisas falou Jesus quando ensinava na sinagoga em Cafarnaum.

 

Se analisarmos com atenção e utilizarmos a lógica, poderemos entender facilmente o que Jesus estava falando com essas afirmações. Primeiramente se respondermos a seguinte questão: quem é Jesus? Obviamente todos responderiam o filho de Deus, o Deus humanado ou ainda o próprio Deus. Jesus sendo Deus é perfeito, onipotente e onisciente, ou seja, tudo pode e tudo sabe, e dessa forma ao dizer que é o pão da vida, e que o pão da vida é sua carne e o vinho seu sangue, como duvidar? É o próprio Deus quem diz isso… É o próprio Deus que afirma “a minha carne verdadeiramente é comida, e o meu sangue verdadeiramente é bebida. Quem come a minha carne e bebe o meu sangue permanece em mim e eu nele”(Jo 6, 55-56), ou seja, há motivos para duvidar de Deus? Para duvidar de sua inteligência e seu poder? Claro que não há, e sendo assim basta-nos acreditar no que o Deus todo poderoso afirma, “Eu sou o pão da vida” (Jo 6, 35).

            Como se não bastasse, ainda temos a instituição da Eucaristia pelo próprio Jesus, como podemos ver em Mt 26, 26-28:

Enquanto comiam, Jesus tomou um pão e, tendo anunciado a benção, o partiu, distribui aos discípulos, e disse: “Tomem e comam, isto é o meu corpo”. Em seguida, tomou um cálice, agradeceu, e deu a eles dizendo: “bebam dele todos, pois isto é o meu sangue, o sangue, o sangue da aliança, que é derramado em favor de muitos, para remissão dos pecados […]”

 

E em Mc 14, 22-24:

 

Enquanto comiam, Jesus tomou um pão e, tendo pronunciado a benção, o partiu, distribuiu a eles, e disse: “Tomem, isto é o meu corpo.” Em seguida, tomou um cálice, agradeceu e deu a eles. E todos eles beberam. E Jesus lhes disse: “Isto é o meu sangue, o sangue da aliança, que é derramado em favor de muitos […]”

E ainda em Lc 22, 19-20:


A seguir, Jesus tomou um pão, agradeceu a Deus, o partiu e distribuiu a eles, dizendo: “Isto é o meu corpo, que é dado por vocês. Façam isto em memória de mim”. Depois da ceia, Jesus fez o mesmo com o cálice, dizendo: “Este cálice é a nova aliança do meu sangue, que é derramado por vocês[…]”

 

Conforme podemos verificar, os três evangelistas expõem que Jesus toma o pão e vinho em suas mãos, os abençoa e os distribui aos discípulos dizendo que são seu corpo e sangue. Novamente usamos a lógica, pois quem além de Deus pode nesse mundo transformar uma coisa em outra? Quem é capaz de duvidar de algo tão claro, explícito nos evangelhos acima citados? Ora Jesus afirma de forma clara e explícita que o pão e o vinho são seu corpo e sangue após a benção, quem somos nós para duvidar? Nós não somos absolutamente nada para duvidar de Cristo, que nos ama tanto que se entregou por nós para a morte na cruz.

No evangelho de Lucas vemos Jesus ordenando a seus discípulos “Façam isto em memória de mim” (Lc 22,19). Vemos Jesus ordenando seus discípulos a  abençoarem o pão e vinho, transformando-os em seu corpo e sangue e repartirem entre os seus, entre os discípulos, entre os seguidores de Cristo. O Messias é claro e explícito. Não há como e nem motivos para duvidar.

Cristo mandou que se fizesse o sacrifício em sua memória, o que de forma alguma significa que Cristo esteja presente somente em memória, […]. A expressão significa que a cerimônia é para ser feita pelos Apóstolos e sucessores como recordação do que Cristo fez. E o que Cristo fez foi transformar pão e vinho em Seu corpo e sangue.

Cristo disse: Fazei “isto” em minha memória.  O “isto”, a ação que deve ser executada, não é memorial, mas real. Consagreis como eu fiz, realmente, em minha memória, pois não estarei presente visivelmente, é o que ensinou Cristo.  E porque em memória? Porque não veremos Cristo até o final do mundo, “até que ele venha”. (LIBÓRIO, 2001)

Após observarmos o próprio Cristo afirmando que Ele é o pão da vida, e ordenar aos discípulos na Santa Ceia que repitam o seu gesto, podemos ainda citar outras passagens bíblicas, para não deixar margem alguma de dúvidas sob a presença de Cristo na Eucaristia (mesmo após Ele mesmo ter dito).

Em I Cor11, 23-26 temos São Paulo explicitando a eucaristia à comunidade de Corinto:

 

De fato, eu recebi pessoalmente do Senhor aquilo que transmiti para vocês: Na noite em que foi entregue, o Senhor Jesus tomou o pão e, depois de dar graças, o partiu e disse: “Isto é o meu corpo que é para vocês; façam isso em memória de mim.”        Do mesmo modo, após a Ceia, tomou também o cálice, dizendo: “Este cálice é a Nova aliança do meu sangue; todas as vezes que vocês beberem dele, façam isso em memória de mim.” Portanto todas vezes que vocês comem deste pão e bebem deste cálice , estão anunciando a morte do Senhor, até que Ele venha. Portanto todo aquele que comer este pão ou beber este vinho indignamente, será réu do corpo e do sangue do Senhor. Examine-se, pois, a si mesmo o homem, e assim coma deste pão e beba deste cálice. Porque aquele que o come e bebe indignamente, come e bebe para si a condenação, não distinguindo o Corpo do Senhor.

 

Além de termos mais uma vez a narração da instituição da Santa Eucaristia, pelo próprio Jesus, por São Paulo Apóstolo afirmando ser necessária a dignidade para comungar do Corpo e Sangue do Senhor, uma vez que se a comunhão se der de forma impura, as pessoas estarão se condenando. Ou seja, se fosse um simples pedaço de pão as pessoas não estariam se condenando ao comungar indignamente, mas como não é um simples pão, mas Jesus Cristo se faz necessário que as pessoas estejam puras, livres de seus pecados para então comungarem do Corpo e Sangue do Senhor, distinguindo então o que é pão e vinho e o que é o Corpo e o Sangue de Jesus. Uma lição prática que podemos aprender com São Paulo é que o que muda não é a aparência de pão, mas a substância do pão, assim como ocorre com o vinho. Mas se não há uma mudança física como poderíamos distinguir o que é pão e o que é Cristo? Ora a resposta é simples, a fé, a crença nas palavras do próprio Jesus que afirmou que sua carne é verdadeira comida e seu sangue verdadeira bebida, e na última ceia consagrou o pão e o vinho, transformando-os em seu próprio corpo e sangue, e dando-os a seus apóstolos para comungarem. É através da fé que distinguimos o que é pão e o que é Cristo.

            Ao procurar algum documento antigo que trate da Santa Missa e da Sagrada Eucaristia, podemos citar a Didakê, ou “Doutrina dos Doze Apóstolos” que é considerado o escrito mais antigo dos tempos apostólicos, e estima-se que tenha sido escrito entre os anos 70 e 90, com São João ainda vivo (LIBÓRIO, 2001). Vejamos o que diz a Didakê:

 

Reuni-vos no dia do Senhor, e façam a partilha do pão e ofereçam a Eucaristia; mas primeiro confessem suas faltas, para que seu sacrifício seja puro. Quem tiver alguma diferença com seu amigo, que não participe convosco até que tenha se reconciliado, para evitar a profanação de seu sacrifício.

A Didakê orienta os cristãos a se reunirem no dia do Senhor para a Eucaristia, mas para que o sacrifício seja puro e aceito por Deus Pai, se faz necessária a confissão dos pecados. Se confrontarmos com uma passagem bíblica já citada anteriormente poderemos ler “Porque desde o nascente do sol até o poente é o meu nome grande entre as gentes, e em todo lugar se sacrifica e se oferece ao meu nome uma oblação pura” (Mal. 1, 11).

São Malaquias profetiza em nome de Deus a necessidade de uma oblação pura, em toda a terra (do nascer ao por do sol), e a Didakê nos diz como esse sacrifício se tornará puro, através da confissão dos pecados e da reconciliação. Dessa forma o sacrifício descrito na Didakê e no livro de Malaquias são o mesmo!

            No livro do Êxodo 3, 14, podemos ler Deus se revelando a Moisés, dizendo: “Eu sou aquele que É”, e em Mt 26, 26-28;  Mc 14, 22-24; Lc 22, 19-20, vemos Jesus dizendo “isto é meu Corpo” e “este é o cálice do meu sangue”, ou seja, por mais que muitos tentem confundir o sentido das palavras empregadas por Jesus não há dúvida alguma se observarmos as Sagradas Escrituras iluminados sob a orientação dos apóstolos, e com um pouco de lógica apenas… Só se confunde quem quer, quem acha que pode interpretar a Bíblia livremente da forma que quiser.

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5 respostas para Sacramentos – Eucaristia

  1. Pingback: O Sacramento da Eucaristia | Católicos

  2. roberto disse:

    Que a santa Eucaristia nos anime e nos auxilie em toda a nossa vida!

  3. Filipe disse:

    Infelizmente seu artigo carece de muitas bases “lógicas” (conforme você gosta de usar).

    Note que você usa um argumento extremamente falho ao afirmar que porque Jesus diz “Isto é o meu corpo e o meu sangue”, a literalidade é o que vale nesse caso. Se fosse assim, quando Jesus falou com a mulher samaritana e lhe disse que ele teria da água da vida, por que a Bíblia não nos relata que ele “ceiou” com ela? Quando Jesus disse que se tivermos a fé do tamanho de um grão de mostarda seremos capaz de transportarmos montes, acaso ele estava sendo literal? Se sim, conhece alguém que já teve tal fé? Ora, não é necessário perceber que são figuras de linguagem usadas a fim de exemplificar e clarear a mensagem. Mas ainda questiono: se de fato o pão vira corpo e o vinho vira sangue, significa então que nosso corpo “digere” literalmente a Cristo e depois o expele?

    Lamentável você negar a Reforma Protestante (ainda que de forma subjetiva), pois se os grandes reformadores, seguidos pelos puritanos e tantos outros, não foram capazes de lhe converter a alma, que esperar mais? Além do mais, como você se vê diante da missa – que nada mais é do que a crucificação, a morte de Cristo (mais uma vez e denovo, e denovo…)? Acaso você, advogado da “lógica” e da literalidade, não compreendeu que a Cristo morreu uma só vez, não se fazendo necessário crucificá-lo outra vez?

    Certamente que você desconhece o Sola Scriptura e o Princípio Regulador do Culto, pois se os conhecesse, certamente temeria em fazer certas afirmações.

    Amigo, lembre-se dos filhos de Arão que ofereceram fogo estranho ao Senhor e foram fulminados. Lembre-se também que eles não receberam um “não faça isso”, mas tão somente um “faça isso”, ou seja, ou nos pautamos pelas Escrituras e seguimos o padrão tríplice de interpretação (a Bíblia interpreta a si mesma, contexto e analogia da fé), ou seguiremos fábulas e doutrinas de homens (que na verdade são de demônios), anulando assim a palavra de Deus por causa da tradição.

    Um abraço.

    • Prezado Filipe, a paz do Senhor!

      Inicialmente você me fala que quando “Jesus diz “Isto é o meu corpo e o meu sangue”, a literalidade é o que vale nesse caso.”, acredito que esteja falando da linguagem figurada, Você está enganado. Não é a linguagem figurada que vale nesta situação, como em outros casos, como quando Jesus disse que era a porta ou o caminho, o que também não deixa de ser verdade, sendo Ele o caminho que nos leva ao Pai, e necessariamente a porta pelo qual temos que passar para tal. No entanto, antes mesmo de instituir a Eucaristia, Cristo já responde sua dúvida, vejamos:

      […] minha carne é verdadeira comida e meu sangue verdadeira bebida” (e ainda “quem não come minha carne e não bebe meu sangue não terá a vida eterna”. Os judeus se escandalizavam com isso: “disputavam, pois entre si os judeus, dizendo: como pode este dar-nos a comer a sua carne? E Jesus disse-lhes: em verdade, em verdade vos digo: se não comerdes a carne do filho do homem, e não beberdes o seu sangue, não tereis a vida em vós.” (São João, capítulo 6).

      Cristo em sua divina misericórdia se adianta e já nos responde tal dúvida e desta forma podemos entender e acreditar que sim, Jesus está plenamente presente na Eucaristia.

      Depois a passagem citada em São João no capítulo 4, em que Jesus conversa com a mulher samaritana e questiona porque Cristo não havia ceiado com ela, essa resposta é muito simples não era a hora e nem o momento. Pois o hora correta seria apenas na quinta-feira santa, no momento da ceia, antes do único e definitivo sacrifício da cruz.

      Em seguida coloca as seguintes questões: “Quando Jesus disse que se tivermos a fé do tamanho de um grão de mostarda seremos capaz de transportarmos montes, acaso ele estava sendo literal? Se sim, conhece alguém que já teve tal fé?” Neste caso Cristo estava usando a linguagem figurada como você mesmo disse, e como Ele fazia por diversas ao ensinar utilizando parábolas, que deixavam até mesmo os apóstolos confusos. Mas analisemos:

      Os Evangelistas contam como Cristo celebrou a nova páscoa, depois de celebrar a páscoa judaica pela última vez:

      S. Mateus, XXVI (26-28): “Estando, eles, porém, ceando, tomou Jesus o pão e o benzeu, e partiu-o e deu-o aos seus discípulos e disse: Tomai e comei, ISTO É O MEU CORPO.” “E tomando o cálice, deu graças e deu-lho dizendo: Bebei dele todos.” “Porque este é o meu SANGUE do novo testamento, que será derramado por muitos, para remissão dos pecados.”

      S. Marcos, XIV (22-24): “E quando eles estavam comendo, tomou Jesus o pão; e, depois de o benzer, partiu-o e deu-lho, e disse: Tomai, ISTO É O MEU CORPO.” “E tendo tomado o cálice, depois que deu graças, lho deu: e todos beberam dele.” “E Jesus lhes disse: ESTE É O MEU SANGUE do novo testamento, que será derramado por muitos.”

      S. Lucas, XXII (23-25): “Também depois de tomar o pão deu graças e partiu-o e deu-lho, dizendo: ISTO É O MEU CORPO que se dá por vós; fazei isto em memória de mim.” “Tomou também da mesma sorte o cálice, depois de cear, dizendo: Este cálice é o novo testamento em MEU SANGUE, que será derramado por vós.”

      Se Cristo tivesse falado figuradamente alguém dentre eles deveria ter dúvida sobre a verdadeira mensagem do mestre, como na passagem de S. João. Algum Apóstolo deveria ter perguntado o verdadeiro sentido, ou ao menos se surpreendido, para que Cristo, COMO SEMPRE FAZIA, lhes explicasse o que dissera.
      Mas, ao contrário, não vemos nenhum pedido de explicação, nenhuma surpresa de nenhum Apóstolo, pois era uma verdade “verdadeira” tão evidente, tão clara, anunciada que fora na multiplicação dos pães, que TODOS ENTENDERAM LITERALMENTE!

      Depois disso fiquei surpreso com a próxima indagação: “se de fato o pão vira corpo e o vinho vira sangue, significa então que nosso corpo “digere” literalmente a Cristo e depois o expele?” – a resposta é clara: não. A eucaristia é alimento para o corpo e para alma e é incabível pensar que nosso corpo após digeri-la iria expeli-la, ou seja, nosso corpo e alma se nutrem por completo da mesma.

      Caro amigo, é claro que nego a reforma protestante. Permaneço com a Igreja de Cristo, com o ensinamento dos apóstolos que a própria bíblia atesta como verdadeiros. Permaneço com aqueles que receberam a ordem de nosso Senhor, “Ide e ensinai”. Aliás, a tradição apostólica é anterior a Bíblia, e ela que a berçou, portanto as escrituras só fazem sentido a luz da Sagrada Tradição Apostólica e mais, São Paulo (2Ts 2,15) mandou que os cristãos guardassem tudo o que ele lhes ensinou por escrito e por palavra (além das Escrituras – o que chamamos de Tradição apostólica).

      Quando me questiona “como você se vê diante da missa – que nada mais é do que a crucificação, a morte de Cristo (mais uma vez e denovo, e denovo…)?” você está mais uma vez enganado. Trago então as palavras do beato papa João Paulo II na encíclica Ecclesia de Eucharistia:

      “A Missa torna presente o sacrifício da cruz; não é mais um, nem o multiplica.(16) O que se repete é a celebração memorial, a « exposição memorial » (memorialis demonstratio),(17) de modo que o único e definitivo sacrifício redentor de Cristo se actualiza incessantemente no tempo. […] Quando a Igreja celebra a Eucaristia, memorial da morte e ressurreição do seu Senhor, este acontecimento central de salvação torna-se realmente presente e « realiza-se também a obra da nossa redenção ».(11) Este sacrifício é tão decisivo para a salvação do género humano que Jesus Cristo realizou-o e só voltou ao Pai depois de nos ter deixado o meio para dele participarmos como se tivéssemos estado presentes. Assim cada fiel pode tomar parte nela, alimentando-se dos seus frutos inexauríveis. Esta é a fé que as gerações cristãs viveram ao longo dos séculos, e que o magistério da Igreja tem continuamente reafirmado com jubilosa gratidão por dom tão inestimável. […]”

      Assim, que fique claro, eu e todos os católicos sabemos e professamos que Cristo sofreu, foi crucificado, morto e sepultado e ressuscitou uma única vez, sendo este sacrifício único e definitivo para nossa salvação. E a cada missa obedecemos a ordem de nosso Senhor “Fazei isto em memória de mim”. E já me adianto, o fazei isto em memória não quer dizer para somente lembrar de Cristo, mas fazer algo por Ele, em lembrança d’Ele. O caráter memorial não quer dizer que Cristo não está presente, mas que não está presente de forma visível. Se você disser que Cristo não está presente de forma alguma, então o que Nosso Senhor prometeu aos Apóstolos perde o sentido: “Estarei convosco todos os dias até a consumação dos séculos.” (São Mateus, XXVIII, 20).

      E sim, eu conheço o sola scriptura e o princípio regulador do culto, mas como disse anteriormente eu nego a reforma protestante e permaneço com a Doutrina dos Apóstolos.

      Os filhos de Arão foram fulminados porque desafiaram a autoridade de Deus, mas me diga, se nós seguimos a ordem de cristo que disse: “fazei isto em memória de mim” e “ide e ensinai”, onde é que estamos desafiando a autoridade e a ordem de Deus, Cristo Jesus?

      A Tradição Apostólica não anula de maneira alguma as Escrituras, mas a completa (pois São João nos diz que nem tudo está escrito – Jo 21,25) e nos dá margem para a devida e correta interpretação.

      Concluo esta resposta com a afirmação de São Paulo:

      “Porque eu recebi do Senhor o que também vos ensinei a vós, que o Senhor Jesus, na noite em que foi entregue, tomou o pão, e dando graças, o partiu, e disse: recebei e comei; isto é o meu corpo, que será entregue por vós; fazei isto em memória de mim.
      Igualmente depois de ter ceado, (tomou) o cálice, dizendo: este cálice, é o novo testamento no meu sangue, fazei isto em memória de mim todas as vezes que o beberdes. Porque todas as vezes que comerdes este pão e beberdes este cálice, anunciareis a morte do Senhor, até que ele venha.
      Portanto todo aquele que comer este pão ou beber este vinho indignamente, será réu do corpo e do sangue do Senhor.
      Examine-se, pois, a si mesmo o homem, e assim coma deste pão e beba deste cálice. Porque aquele que o come e bebe indignamente, come e bebe para si a condenação, não distinguindo o corpo do Senhor.” (1 Cor 11, 23-29)

      Portanto, que saibamos distinguir pão e vinho, do Corpo e Sangue do Senhor e que sejamos dignos de receber tal sacramento. Que não sejamos como os judeus que se escandalizaram quando Jesus afirmou que sua carne e seu sangue são verdadeiramente comida e bebida e por não entender, não ter fé abandonaram a Cristo.

      In corde Iesu,
      Leandro Nascimento
      Doutrina Católica.

      Com citações do site Montfort.

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