Palavras convencem, testemunhos arrastam

    Estes dias o Santo Padre Bento XVI proferiu palavras que em muito inquietou meu coração com relação ao chamado e a resposta que damos a Deus. Aquilo que ouvimos e proclamamos, o que pregamos e testemunhamos.

    Em primeiro lugar nos dizia o Santo Padre: “Os cristãos respiram o espírito do seu tempo e sofrem a pressão dos costumes da sociedade em que vivem; mas, pela graça do Batismo, são chamados a renunciar às tendências nocivas imperantes e a caminhar contracorrente”.

    Este primeiro comentário é bastante salutar e claro acerca da nossa realidade cotidiana, daquilo que nos envolve e por muitas vezes nos afasta da vontade de Deus, seja por força dos acontecimentos ou pelo nosso consentimento.

    Me recordo aqui de uma historinha na qual é narrado que o peixe está no mar que tem água salgada, mas se pescarmos o peixe é necessário colocar sal no mesmo para que possamos comê-lo. Ora, porque o peixe não sai salgado do mar que é salgado? Por que ele não se mistura. Ele está ali, mas não se deixa entranhar por aquele ambiente. Somente extrai dele o necessário e o que é bom para sobreviver.

     Assim devemos nos comportar. Estamos no mundo mas não somos do mundo. Não podemos deixar que o sal sem sabor do mundo preencha nossa vida. Pelo contrário, nós é que devemos ser sal na terra e luz no mundo.

    Quantas vezes não somos tomados por notícias, por palavras, por acontecimentos, por atitudes que não condizem com nossa fé. Nos mais diversos lugares: Na escola, no trabalho, na rua e até mesmo em nossa casa.

    Quantas vezes não somos questionados acerca da nossa fé, do modo de vida que levamos, sobre a Igreja, sobre Jesus, sobre Nossa Senhora, sobre a nossa fé.

Qual nossa postura? Baixamos a cabeça e deixamos a correnteza nos levar ou nadamos contra ela? Não é o mundo e os seus argumentos que devem nos surpreender a ponto de pararmos e ali ficarmos a contemplá-lo.

    Somos nós que devemos surpreender, encantar, contradizer e iluminar o mundo. Somos nós que devemos chamar a atenção e fazer com que o mundo pare e contemple a beleza de ser de Deus, de ser casto, de ser um jovem, uma jovem que vive a alegria verdadeira, de ser uma família que defende a vida, de ser um casal que vive a fidelidade e a santidade no amor conjugal e na educação cristã de seus filhos, de sermos profissionais coerentes, honestos e justos, de sermos irmãos e vivermos a caridade.

    E tudo isso só será possível se nós, cada um de nós, abraçarmos o plano de Deus para nossas vidas e fazer com que este plano tome forma, tome cor e seja o nosso cartão postal para o mundo. A vontade de Deus em nós, conhecida, acolhida e vivenciada, torna-se o nosso cartão postal.

    Mas um ponto é essencial em tudo isso: Não basta somente falar, cantar, escrever, proclamar. É preciso viver o que falamos, viver o que cantamos, viver o que escrevemos, viver o que proclamamos. A nossa vida, a sua vida hoje é o palco, é o púlpito, é o livro , é o altar onde o Grande Autor irá fazer acontecer a maior de todas as manifestações em favor da humanidade: O SEU AMOR!

    De palavras bonitas, de grande espetáculos, de luzes e sons, de grandes literaturas, o mundo está cheio. Mas falta-lhe a coerência, falta-lhe a vida, falta-lhe o sabor, falta-lhe a verdade e isso finda por esgotá-las em si mesmas.

    Por isso nossa missão deve ser não só proclamar, mas testemunhar. E testemunhar com a nossa vida. Assim nos dizia também estes dias o Papa Bento XVI: Ora, “há que acolher a boa doutrina, mas esta corre o risco de ser desmentida por uma conduta incoerente”.

    Diante disso meus irmãos, fica claro que não é só ler a Bíblia, não é só se debruçar sobre livros, escutar por horas música cristã. É preciso que o Espírito Santo renove em nós a disposição de sermos testemunhas daquilo que vimos e ouvimos. E o que vimos e ouvimos não é qualquer coisa. É a vida de Cristo que foi ofertada pelo Pai em favor de nós, pela nossa salvação. Vida esta que Cristo, por amor de nós atualiza todos os dias na Eucaristia.

    Então, nós temos a missão de sermos coerentes com aquilo que Deus nos chama a viver. Devemos ser conscientes de que estamos no mundo, mas não pertencemos ao mundo. Que devemos nós arrastar o mundo para a salvação e não nos deixar conduzir para a perdição pelo mundo. Devemos conhecer, amar e proclamar as maravilhas que Deus realiza em nós, mas antes de tudo, devemos deixar que estas mesmas maravilhas que proclamamos, possam ser testemunhadas pela nossa vida, em atos concretos e que assim possamos nos tornar luzeiros para este mundo que jaz na UTI da salvação.

Deus os abençoe e nos dê a graça de viver com ousadia e coerência.

Texto de Fabiano de Medeiros
Colunista do Portal Católicos


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