Sua opinião em destaque – Contestando a Eucaristia

Olá amigos!

Nosso blog tem tido alguns comentários muito interessantes, seja por parte de católicos nos apoiando, ou por parte de protestantes nos desafiando. Como os comentários de posts antigos por vezes não são lidos por nossos leitores, resolvemos postá-los em uma coluna especial, o “Sua opinião em destaque”.

Dessa forma, se você quiser compartilhar conosco suas idéias, basta deixar um comentário em nossos posts que se for oportuno o postaremos em nossa nova coluna.

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Para começar trazemos o comentário de um protestante sobre nosso artigo sobre a Eucaristia (clique aqui para ler) e na sequência nossa resposta.

Infelizmente seu artigo carece de muitas bases “lógicas” (conforme você gosta de usar).

Note que você usa um argumento extremamente falho ao afirmar que porque Jesus diz “Isto é o meu corpo e o meu sangue”, a literalidade é o que vale nesse caso. Se fosse assim, quando Jesus falou com a mulher samaritana e lhe disse que ele teria da água da vida, por que a Bíblia não nos relata que ele “ceiou” com ela? Quando Jesus disse que se tivermos a fé do tamanho de um grão de mostarda seremos capaz de transportarmos montes, acaso ele estava sendo literal? Se sim, conhece alguém que já teve tal fé? Ora, não é necessário perceber que são figuras de linguagem usadas a fim de exemplificar e clarear a mensagem. Mas ainda questiono: se de fato o pão vira corpo e o vinho vira sangue, significa então que nosso corpo “digere” literalmente a Cristo e depois o expele?

Lamentável você negar a Reforma Protestante (ainda que de forma subjetiva), pois se os grandes reformadores, seguidos pelos puritanos e tantos outros, não foram capazes de lhe converter a alma, que esperar mais? Além do mais, como você se vê diante da missa – que nada mais é do que a crucificação, a morte de Cristo (mais uma vez e denovo, e denovo…)? Acaso você, advogado da “lógica” e da literalidade, não compreendeu que a Cristo morreu uma só vez, não se fazendo necessário crucificá-lo outra vez?

Certamente que você desconhece o Sola Scriptura e o Princípio Regulador do Culto, pois se os conhecesse, certamente temeria em fazer certas afirmações.

Amigo, lembre-se dos filhos de Arão que ofereceram fogo estranho ao Senhor e foram fulminados. Lembre-se também que eles não receberam um “não faça isso”, mas tão somente um “faça isso”, ou seja, ou nos pautamos pelas Escrituras e seguimos o padrão tríplice de interpretação (a Bíblia interpreta a si mesma, contexto e analogia da fé), ou seguiremos fábulas e doutrinas de homens (que na verdade são de demônios), anulando assim a palavra de Deus por causa da tradição.

Um abraço.

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Prezado, a paz do Senhor!

Inicialmente você me fala que quando “Jesus diz “Isto é o meu corpo e o meu sangue”, a literalidade é o que vale nesse caso.”, acredito que esteja falando da linguagem figurada, Você está enganado. Não é a linguagem figurada que vale nesta situação, como em outros casos, como quando Jesus disse que era a porta ou o caminho, o que também não deixa de ser verdade, sendo Ele o caminho que nos leva ao Pai, e necessariamente a porta pelo qual temos que passar para tal. No entanto, antes mesmo de instituir a Eucaristia, Cristo já responde sua dúvida, vejamos:

[…] minha carne é verdadeira comida e meu sangue verdadeira bebida” (e ainda “quem não come minha carne e não bebe meu sangue não terá a vida eterna”. Os judeus se escandalizavam com isso: “disputavam, pois entre si os judeus, dizendo: como pode este dar-nos a comer a sua carne? E Jesus disse-lhes: em verdade, em verdade vos digo: se não comerdes a carne do filho do homem, e não beberdes o seu sangue, não tereis a vida em vós.” (São João, capítulo 6).

Cristo em sua divina misericórdia se adianta e já nos responde tal dúvida e desta forma podemos entender e acreditar que sim, Jesus está plenamente presente na Eucaristia.

Depois a passagem citada em São João no capítulo 4, em que Jesus conversa com a mulher samaritana e questiona porque Cristo não havia ceiado com ela, essa resposta é muito simples não era a hora e nem o momento. Pois o hora correta seria apenas na quinta-feira santa, no momento da ceia, antes do único e definitivo sacrifício da cruz.

Em seguida coloca as seguintes questões: “Quando Jesus disse que se tivermos a fé do tamanho de um grão de mostarda seremos capaz de transportarmos montes, acaso ele estava sendo literal? Se sim, conhece alguém que já teve tal fé?” Neste caso Cristo estava usando a linguagem figurada como você mesmo disse, e como Ele fazia por diversas ao ensinar utilizando parábolas, que deixavam até mesmo os apóstolos confusos. Mas analisemos:

Os Evangelistas contam como Cristo celebrou a nova páscoa, depois de celebrar a páscoa judaica pela última vez:

S. Mateus, XXVI (26-28): “Estando, eles, porém, ceando, tomou Jesus o pão e o benzeu, e partiu-o e deu-o aos seus discípulos e disse: Tomai e comei, ISTO É O MEU CORPO.” “E tomando o cálice, deu graças e deu-lho dizendo: Bebei dele todos.” “Porque este é o meu SANGUE do novo testamento, que será derramado por muitos, para remissão dos pecados.”

S. Marcos, XIV (22-24): “E quando eles estavam comendo, tomou Jesus o pão; e, depois de o benzer, partiu-o e deu-lho, e disse: Tomai, ISTO É O MEU CORPO.” “E tendo tomado o cálice, depois que deu graças, lho deu: e todos beberam dele.” “E Jesus lhes disse: ESTE É O MEU SANGUE do novo testamento, que será derramado por muitos.”

S. Lucas, XXII (23-25): “Também depois de tomar o pão deu graças e partiu-o e deu-lho, dizendo: ISTO É O MEU CORPO que se dá por vós; fazei isto em memória de mim.” “Tomou também da mesma sorte o cálice, depois de cear, dizendo: Este cálice é o novo testamento em MEU SANGUE, que será derramado por vós.”

Se Cristo tivesse falado figuradamente alguém dentre eles deveria ter dúvida sobre a verdadeira mensagem do mestre, como na passagem de S. João. Algum Apóstolo deveria ter perguntado o verdadeiro sentido, ou ao menos se surpreendido, para que Cristo, COMO SEMPRE FAZIA, lhes explicasse o que dissera.
Mas, ao contrário, não vemos nenhum pedido de explicação, nenhuma surpresa de nenhum Apóstolo, pois era uma verdade “verdadeira” tão evidente, tão clara, anunciada que fora na multiplicação dos pães, que TODOS ENTENDERAM LITERALMENTE!

Depois disso fiquei surpreso com a próxima indagação: “se de fato o pão vira corpo e o vinho vira sangue, significa então que nosso corpo “digere” literalmente a Cristo e depois o expele?” – a resposta é clara: não. A eucaristia é alimento para o corpo e para alma e é incabível pensar que nosso corpo após digeri-la iria expeli-la, ou seja, nosso corpo e alma se nutrem por completo da mesma.

Caro amigo, é claro que nego a reforma protestante. Permaneço com a Igreja de Cristo, com o ensinamento dos apóstolos que a própria bíblia atesta como verdadeiros. Permaneço com aqueles que receberam a ordem de nosso Senhor, “Ide e ensinai”. Aliás, a tradição apostólica é anterior a Bíblia, e ela que a berçou, portanto as escrituras só fazem sentido a luz da Sagrada Tradição Apostólica e mais, São Paulo (2Ts 2,15) mandou que os cristãos guardassem tudo o que ele lhes ensinou por escrito e por palavra (além das Escrituras – o que chamamos de Tradição apostólica).

Quando me questiona “como você se vê diante da missa – que nada mais é do que a crucificação, a morte de Cristo (mais uma vez e denovo, e denovo…)?” você está mais uma vez enganado. Trago então as palavras do beato papa João Paulo II na encíclica Ecclesia de Eucharistia:

“A Missa torna presente o sacrifício da cruz; não é mais um, nem o multiplica.(16) O que se repete é a celebração memorial, a « exposição memorial » (memorialis demonstratio),(17) de modo que o único e definitivo sacrifício redentor de Cristo se actualiza incessantemente no tempo. […] Quando a Igreja celebra a Eucaristia, memorial da morte e ressurreição do seu Senhor, este acontecimento central de salvação torna-se realmente presente e « realiza-se também a obra da nossa redenção ».(11) Este sacrifício é tão decisivo para a salvação do género humano que Jesus Cristo realizou-o e só voltou ao Pai depois de nos ter deixado o meio para dele participarmos como se tivéssemos estado presentes. Assim cada fiel pode tomar parte nela, alimentando-se dos seus frutos inexauríveis. Esta é a fé que as gerações cristãs viveram ao longo dos séculos, e que o magistério da Igreja tem continuamente reafirmado com jubilosa gratidão por dom tão inestimável. […]”

Assim, que fique claro, eu e todos os católicos sabemos e professamos que Cristo sofreu, foi crucificado, morto e sepultado e ressuscitou uma única vez, sendo este sacrifício único e definitivo para nossa salvação. E a cada missa obedecemos a ordem de nosso Senhor “Fazei isto em memória de mim”. E já me adianto, o fazei isto em memória não quer dizer para somente lembrar de Cristo, mas fazer algo por Ele, em lembrança d’Ele. O caráter memorial não quer dizer que Cristo não está presente, mas que não está presente de forma visível. Se você disser que Cristo não está presente de forma alguma, então o que Nosso Senhor prometeu aos Apóstolos perde o sentido: “Estarei convosco todos os dias até a consumação dos séculos.” (São Mateus, XXVIII, 20).

E sim, eu conheço o sola scriptura e o princípio regulador do culto, mas como disse anteriormente eu nego a reforma protestante e permaneço com a Doutrina dos Apóstolos.

Os filhos de Arão foram fulminados porque desafiaram a autoridade de Deus, mas me diga, se nós seguimos a ordem de cristo que disse: “fazei isto em memória de mim” e “ide e ensinai”, onde é que estamos desafiando a autoridade e a ordem de Deus, Cristo Jesus?

A Tradição Apostólica não anula de maneira alguma as Escrituras, mas a completa (pois São João nos diz que nem tudo está escrito – Jo 21,25) e nos dá margem para a devida e correta interpretação.

Concluo esta resposta com a afirmação de São Paulo:

“Porque eu recebi do Senhor o que também vos ensinei a vós, que o Senhor Jesus, na noite em que foi entregue, tomou o pão, e dando graças, o partiu, e disse: recebei e comei; isto é o meu corpo, que será entregue por vós; fazei isto em memória de mim.
Igualmente depois de ter ceado, (tomou) o cálice, dizendo: este cálice, é o novo testamento no meu sangue, fazei isto em memória de mim todas as vezes que o beberdes. Porque todas as vezes que comerdes este pão e beberdes este cálice, anunciareis a morte do Senhor, até que ele venha.
Portanto todo aquele que comer este pão ou beber este vinho indignamente, será réu do corpo e do sangue do Senhor.
Examine-se, pois, a si mesmo o homem, e assim coma deste pão e beba deste cálice. Porque aquele que o come e bebe indignamente, come e bebe para si a condenação, não distinguindo o corpo do Senhor.” (1 Cor 11, 23-29)

Portanto, que saibamos distinguir pão e vinho, do Corpo e Sangue do Senhor e que sejamos dignos de receber tal sacramento. Que não sejamos como os judeus que se escandalizaram quando Jesus afirmou que sua carne e seu sangue são verdadeiramente comida e bebida e por não entender, não ter fé abandonaram a Cristo.

In corde Iesu,
Leandro Nascimento
Doutrina Católica.

Com citações do site Montfort.

Sobre Doutrina Católica

O Doutrina Católica é um espaço mantido por fiéis leigos da Santa Igreja Católica. Estamos cansados de tantos ataques externos e tanto desconhecimento também dos próprios católicos, por isso nossa intenção com o blog é divulgar e defender a Igreja Católica. Estamos abertos a discussão e a parcerias, ajude-nos a crescer!
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