Intercessão dos santos

 A intercessão dos santos 

Doutrina Católica

  

    Para a Igreja Católica o culto aos santos é legítimo (culto de dulia – veneração), uma vez que enaltecendo as criaturas se enaltece o Criador, sendo que os santos nada seriam sem a graça santificante de Deus. Os santos são e devem ser amados e venerados por isso, além do que são exemplos para nós de uma vida vivida com base no evangelho, colocando-se a disposição de Deus. O Concílio de Trento que durou de1545 a1563, definiu assim a questão dos santos:

“Os santos que reinam agora com Cristo, oram a Deus pelos homens, é bom e proveitoso invocá-los suplicantemente e recorrer às suas orações e intercessões, para que vos obtenham benefícios de Deus, por Nosso Senhor Jesus Cristo, único Redentor e Salvador nosso. São ímpios os que negam que se devam invocar os santos que já gozam da eterna felicidade no céu. Os que afirmam que eles não oram pelos homens, os que declaram que lhes pedir por cada um de nós em particular é idolatria, repugna à palavra de Deus e se opõe à honra de Jesus Cristo, único Mediador entre Deus e os homens.” (AQUINO, 2007, p. 118)
 

    Muitos têm dúvidas da intercessão dos santos, pois em 1Tm 2, 5 podemos ler: “ Pois há um só Deus e um só mediador entre Deus e os homens: Jesus Cristo […]”. isto, pois se há um só mediador e é Cristo, não se faz necessária a intercessão de ninguém, aliás, se Deus é onisciente (tudo sabe) por que não podemos pedir diretamente a Ele? Primeiramente na passagem da primeira carta a Timóteo, entendemos que apenas Cristo é mediador entre Deus e os homens enquanto Redentor, pois só Cristo é o Redentor! Só Ele pode remir os pecados e só Ele leva ao Pai! Mas isto não quer dizer que Deus não considera a intercessão das pessoas, dos santos, Ele quer que seja assim para que nos amemos mutuamente, rogando uns pelos outros, humildemente reconhecendo que por nossos méritos não temos atributos suficientes para conseguir as graças necessárias sozinhos. É por isso que Deus transmite aos santos as orações dos fiéis, pois nenhum santo, nem Nossa Senhora são oniscientes, apenas Deus o é.

    Na Bíblia temos diversas passagens que retratam a intercessão, a começar por São Paulo que pedia a oração dos fiéis e oferecia as suas ( ou seja, intercessão), em várias cartas (I Timóteo, II 1-3; Efésios, VI, 17-19; Romanos, XV, 30-31; I Tessalonicenses V, 25; II Tessalonicenses III, 1-2; Hebreus XIII, 18-19).

Depois no livro de Jó 42, 7 – 8, temos Deus falando a Elifaz:

“Estou irritado contra você e seus dois companheiros, porque vocês não falaram corretamente de mim como falou o meu servo Jó. Portanto peguem sete bezerros e sete carneiros, e vão até o meu servo Jó. Ofereçam os animais em holocausto, e o meu servo Jó intercederá por vocês. Em atenção a ele, eu não os tratarei como a insensatez de vocês merece, por que vocês não falaram corretamente de mim como falou o meu servo Jó”.
 

    Ou seja, mesmo Deus estando irritado com a atitude de Elifaz e seus companheiros, Ele não os trataria de acordo com a falta deles, mas reconheceria propícia a intercessão de Jó, e em consideração a ele (e a seus méritos) atenderia suas orações.

 Também em Ap 6, 9-10 temos:

Quando o Cordeiro abriu o quinto selo, vi debaixo do altar as vidas daqueles que tinham sido imolados por causa da palavra de Deus, e por causa do testemunho que dela tinham dado. Eles gritaram em alta voz: “Senhor santo e verdadeiro, até quando tardarás em fazer justiça, vingando o nosso sangue contra os habitantes da terra?
 

E em 8, 3-4:

E outro anjo se colocou perto do altar: tinha nas mãos um turíbulo de ouro. Ele recebeu uma grande quantidade de incenso para ser oferecido juntamente com as orações de todos os santos, sobre o altar de ouro que está diante do trono. Da mão do anjo subia até Deus a fumaça do incenso com as orações dos santos.
 

Nas passagens do Apocalipse vemos que os santos estão reunidos na pátria celeste, e que estão juntos em constante oração e intercessão, estas que chegam a Deus pelas mãos dos anjos.

    Também em 2Mac 15, 12, podemos ver Onias um sumo sacerdote rezando pelo povo:

No sonho, ele viu o seguinte: Onias, o antigo sumo sacerdote, homem correto e bom, respeitoso no encontro com as pessoas, manso no comportamento, precavido e delicado no falar, e bem educado desde criança em todo o seu comportamento virtuoso, esse homem de mãos erguidas, rezava em favor de toda a comunidade judaica.
 

    No livro do Gênesis temos diversas referências a intercessão, a iniciar pelo cap. 18, vers. 26-33, na qual Abraão intercede junto a Deus pelos justos da cidade de Sodoma:

Javé respondeu: “Se eu encontrar cinqüenta justos na cidade de Sodoma perdoarei a cidade toda por causa deles”. Abraão continuou: “Eu me atrevo a falar ao meu Senhor, embora eu seja pó e cinza. Mas talvez faltem cinco para os cinqüenta justos: por causa de cinco destruirás a cidade inteira?” Javé respondeu: “Não a destruirei se eu nela encontrar quarenta e cinco justos”. Abraão insistiu: “Suponhamos que só existam quarenta!” Javé respondeu: “Por causa dos quarenta eu não o farei”. Abraão continuou: “Que o meu Senhor não fique irritado se eu continuo falando. E se houver trinta?” Javé respondeu: “Se houver trina eu não o farei”. Abraão insistiu: “Estou me atrevendo a falar ao meu Senhor. Talvez haja vinte!” Javé respondeu: “Por causa dos vinte eu não a destruirei”. Quando terminou de falar com Abraão, Javé foi embora. E Abraão voltou para o seu lugar.

E em Gen. 19, 21 temos Deus concedendo o pedido de  Ló: “Ele respondeu: “Concedo o que você está pedindo: não destruirei a cidade da qual você está falando””. Já em Gen. 20, 7, temos Deus orientando Abimelec a pedir a intercessão de um profeta: “Agora, devolva a mulher a esse homem: ele é profeta e rezará para que você continue vivo[…]”. No capítulo 26, vers. 24 do mesmo livro, vemos Deus falando a Isaac pelos méritos de Abraão: “Eu sou o Deus de seu pai Abraão. Não tenha medo pois estou com você. Eu o abençoarei, e multiplicarei seus descendentes, em atenção ao meu servo Abraão”.

   No livro de Números, cap. 11, vers. 1-3, podemos ver Moisés novamente intercedendo pelo povo junto a Deus:

O povo começou a queixar-se a Javé de suas desgraças. Ao ouvir a queixa a ira dele se inflamou, e o fogo de Javé começou a devorar uma extremidade do acampamento. O povo gritou a Moisés. Este intercedeu junto a Javé em favor deles, e o incêndio se apagou. Esse local se chamou Lugar do Incêndio, porque aí o fogo de Javé ardeu contra eles.
 

    No livro de João podemos ver Nossa Senhora intercedendo junto a Jesus pelos noivos de Caná. Ele sabia da necessidade dos noivos, mas é pela intercessão de Maria e seus méritos que Ele atende ao pedido:

No terceiro dia, houve uma festa de casamento em Caná da Galiléia, e mãe de Jesus estava aí. Jesus também tinha sido convidado para essa festa de casamento, junto com seus discípulos. Faltou vinho e mãe de Jesus lhe disse: “Eles não têm mais vinho!” Jesus respondeu: “Mulher que existe entre nós? Minha hora ainda não chegou.” A mãe de Jesus disse aos que estavam servindo: “façam o que ele mandar.” Havia aí seis potes de pedra de uns cem litros cada um, que serviam para os ritos de purificação dos judeus. Jesus disse aos que serviam: “Encham de água esses potes.” Eles encheram os potes até a boca. Depois Jesus disse: “Agora tirem e levem ao mestre-sala.” Então levaram ao mestre-sala. Este provou a água transformada em vinho, sem saber de onde vinha. Os que serviam estavam sabendo, pois foram eles que tiraram a água. Então o mestre-sala chamou o noivo e disse: “todos servem primeiro o vinho bom e, quando os convidados estão bêbados, servem o pior. Você porém, guardou o vinho bom até agora.”
 

    Nesta passagem podemos entender que a ligação entre Jesus e Maria é tão forte que mesmo não sendo a hora de Jesus iniciar seu ministério Ele o faz, pelos méritos de Maria e sua intercessão. Não pelos méritos dos noivos, mas pela honra de Maria, que docilmente introduz Jesus em seu ministério.

   Por estas e outras passagens podemos entender que a intercessão dos santos é benéfica e suscitada por Deus, num gesto de amor mútuo entre as pessoas. As orações feitas uns pelos outros tem um valor inestimável aos olhos de Deus, ainda mais daqueles que morreram pelo nome do Senhor e por sua palavra e que se encontram nos céus como o livro do Apocalipse revela. A Igreja Católica não faz coisas sem fundamentos, nosso respaldo está inteiramente na Bíblia, que é interpretada à luz da Sagrada Tradição Apostólica.

Referências

AQUINO, Felipe Rinaldo Queiros de. Por Que Sou Católico. São Paulo:  Cléofas2008.

Bíblia Sagrada: Edição pastoral. São Paulo: Paulus, 2005.

 

Sobre Doutrina Católica

O Doutrina Católica é um espaço mantido por fiéis leigos da Santa Igreja Católica. Estamos cansados de tantos ataques externos e tanto desconhecimento também dos próprios católicos, por isso nossa intenção com o blog é divulgar e defender a Igreja Católica. Estamos abertos a discussão e a parcerias, ajude-nos a crescer!
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2 respostas para Intercessão dos santos

  1. saldo disse:

    os santos na verdade todos os que estão em Cristo, nao existe santo tal e tal. as pessoas que já morreram, elas já terminaram suas missões no mundo, e elas nao tem poder para dar o que vc ora em nome delas.
    entao se quiser orar pedir a Deus, por intermedio de Cristo, e Deus vai responder suas oraçoes. agora vc e Deus, e nao vc com os mortos.

    • Muito prezado Saldo, a paz!

      A intercessão dos santos é imensamente eficaz, quando necessitamos receber alguma graça. Nós não falamos com mortos, mas sim com aqueles que vivem a vida eterna, ao lado do Cristo, nosso Senhor. Sim, Ele tudo sabe, sabe das nossas necessidades, mas leva em consideração a oração de uns pelos outros, e isso podemos ver desde o antigo testamento. Se você considera que os pseudo-pastores podem “orar” por seus fiéis, se considera isso legítimo, quem dera então as pessoas que estão na vida eterna ao lado do Senhor? Estes que mereceram estar no paraíso, que foram dignos? Imagine o apreço de nosso Senhor por aqueles que o aceitaram e o seguiram, e por esta razão estão ao seu lado em sua morada?
      Os santos não podem saber de nossas orações, pois não são oniscientes, mas Deus em sua misericórdia dá-lhes a conhecer nossas necessidades, para que orem incessantemente por nós, e suas preces sobem como a fumaça do incenso em direção a Deus. Tudo isso meu caro, é mistério que não cabe a nós entendermos, mas apenas aceitá-lo. Se você ora por alguém neste mundo é uma forma de intercessão, se alguém que está junto de Deus ora a Ele é uma forma de intercessão muito mais digna e frutífera!
      Caro amigo, sejamos coerentes e acreditemos na vida eterna, acreditemos na morada que Jesus foi nos preparar e nos preparemos para sermos dignos de nela entrarmos e orarmos por nossos irmãos que aqui ficam.

      Em Cristo,
      Leandro.

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