O SINAL DOS VERDADEIROS DISCÍPULOS


Mons. João Scognamiglio Clá Dias, EP


Ao longo de sua bimilenar História, a Igreja caminhou sempre sob o signo da perseguição. Entretanto, a cada investida das forças adversárias, brilha ela com maior esplendor.

Conta-se que São Pio X, durante audiência aos membros de um dos colégios eclesiásticos romanos, perguntou aos jovens estudantes:

– Quais são as notas distintivas da verdadeira Igreja de Cristo?

– São quatro, Santo Padre: Una, Santa, Católica e Apostólica – respondeu um deles.

– Não há mais de quatro? – indagou o Papa.

– Ela é também Romana: Una, Santa, Católica, Apostólica e Romana.

– Exatamente, mas não falta mencionar ainda uma característica das mais evidentes? — insistiu o Pontífice.

Após um instante de silêncio, ele próprio respondeu:

– Ela é também perseguida! Esse é o sinal de sermos verdadeiros discípulos de Jesus Cristo.

A Igreja é perseguida. De fato, sem essa nota não se entende bem a história da Esposa de Cristo, que já começa sob esse signo na mais tenra infância do seu Divino Fundador. Que mal poderia fazer a Herodes aquele Menino, filho de carpinteiro, nascido numa gruta e deitado numa manjedoura? Nenhum. Mas na ímpia tentativa de tirar-Lhe a vida, o tetrarca não hesitou em mandar assassinar crianças inocentes.

Ao longo da vida pública de Jesus, o ódio contra Ele não fez senão crescer, e chegou ao paroxismo quando os fariseus tomaram a decisão de matá-Lo e obtiveram de Pilatos a iníqua sentença de condenação. De tal forma detestavam o Divino Mestre, que não toleravam sequer vê-Lo fazer o bem, ou ensinar a doutrina da Salvação.

Nessa mesma inimizade encontra-se a fonte das investidas sofridas pela Igreja após a subida de Nosso Senhor ao Céu. Assim, foi movido por ódio furibundo contra os cristãos que Nero deu início, no ano 64, à sangrenta perseguição que haveria de durar, com intermitências, até 313, quando o Imperador Constantino concedeu liberdade à Igreja, pelo Edito de Milão.1

E ao longo dos séculos subsequentes, a Esposa de Cristo nunca deixou de enfrentar os mais variados ataques – por vezes cruentos – e incessantes oposições, ora abertas, ora solapadas. Mesmo em nossos dias, este ódio contra aqueles que praticam o bem não deixa de se manifestar em seus múltiplos aspectos.

“Se o mundo vos aborrece, sabei que aborreceu primeiro a Mim. Lembrai-vos da palavra que Eu vos disse: ‘O servo não é maior que seu Senhor’. Se Me perseguiram a Mim, também a vós vos perseguirão” (Jo 15, 18.20). Por estas palavras de Jesus, vemos serem a adversidade e a incompreensão inerentes à existência terrena do verdadeiro fiel, pela irreversível incompatibilidade entre a doutrina do mundo e a de Cristo. Pois, desde o tempo dos nossos primeiros pais, há entre a bendita posteridade de Maria Santíssima e a raça da serpente maldita o irreconciliável antagonismo descrito pelo Gênesis: “Porei inimizades entre ti e a mulher, entre a tua descendência e a dela. Esta te ferirá a cabeça e tu lhe ferirás o calcanhar” (Gn 3, 15).

Os maus não suportam os bons, e para estes, o ódio daqueles indica eleição por parte de Deus, conforme se depreende destas palavras de São Jerônimo a Santo Agostinho: “Sois celebrado por todo o mundo. Os católicos veneram e reconhecem em vós o restaurador da antiga Fé, e – o que é sinal de glória ainda maior – todos os hereges vos detestam e perseguem com o mesmo ódio que a mim, anelando matar-nos com o desejo, já que não podem fazê-lo com as armas”.2 É na fidelidade dos justos diante das perseguições que reluz de modo especial a glória de Deus.

Sobre Doutrina Católica

O Doutrina Católica é um espaço mantido por fiéis leigos da Santa Igreja Católica. Estamos cansados de tantos ataques externos e tanto desconhecimento também dos próprios católicos, por isso nossa intenção com o blog é divulgar e defender a Igreja Católica. Estamos abertos a discussão e a parcerias, ajude-nos a crescer!
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