França: marcha pela vida em um contexto preocupante

Entrevista com Jean-Marie Le Méné, presidente da Fundação Jérôme Lejeune

ROMA, segunda-feira, 23 de janeiro de 2012 (ZENIT.org) – O presidente da conhecida Fundação Jérôme Lejeune, Jean-Marie Le Méné, se dirige aos participantes da Marcha Nacional pela Vida, a ser realizada em Paris. Em entrevista concedida a ZENIT, ele explica o porquê.

Qual é a motivação da Marcha pela Vida 2012?
Jean-Marie Le Méné: O calendário político de 2012 na França (eleições presidenciais e legislativas) me dão uma oportunidade de falar sobre o respeito pela vida. A situação ficou pior depois da revisão da lei de bioética em 2011. Os manifestantes podem seguir diversas rotas. Nós também, na Fundação Jérôme Lejeune, marchamos pela vida já faz tempo, seguindo os passos do Professor Jérôme Lejeune, de quem temos orgulho de ostentar o nome e de continuar o projeto. Se eu concordei em me manifestar, é porque a situação é preocupante. Ao contrário do que se pensa, a lei de bioética de junho de 2011 enfatiza os ataques contra a vida, principalmente em dois pontos.

O que você considera mais preocupante?
Jean-Marie Le Méné: Pela primeira vez, a lei obriga todos os médicos a dar a todas as mulheres grávidas informações sobre a análise pré-natal da trissomia 21, que causa a síndrome de Down, permitindo o aborto a qualquer momento. Antes da lei de 2011, os médicos já estavam fazendo isso, o que levava ao aborto de 96% das crianças trissômicas. Durante as discussões, um parlamentar perguntou por que ainda sobravam 4%… Depois disso, combinar essa prática com uma obrigação legal nos fez passar de um eugenismo de fato para um eugenismo de direito! Os clínicos gerais, e não só os especialistas em nascimentos, agora estão na linha de frente e vão ter que prestar contas para a justiça sobre os esforços que eles fazem para não deixar mais que nasçam bebês indesejáveis.

Então as crianças trissômicas são vítimas de uma nova forma de eugenia.
Jean-Marie Le Méné: Nós temos que perceber a natureza sem precedentes desta análise pré-natal generalizada só da trissomia 21, que não é uma demanda por parte da população, não tem um fator de risco a priori, não envolve prevenção e não traz benefício nenhum para a pessoa em questão, que é abortada na maioria dos casos. Essa destruição total ou parcial de um grupo, selecionado pelo seu genoma, na execução de um plano determinado, é uma política eugenista que não tem nada a ver com medicina.

Existem outros elementos perturbadores que a opinião pública precisa conhecer?
Jean-Marie Le Méné: A lei de bioética também se caracteriza por agravar o desprezo pelo ser humano em fase embrionária. As pesquisas com embriões humanos é proibida, mas a lei de 2011 ampliou significativamente as exceções a esse princípio. A canibalização dos embriões para o uso das suas células-tronco é sempre injustificável. Além disso, ela é “inutilmente imoral “, porque pouco progresso terapêutico é esperado desses trabalhos. O embrião humano é usado hoje para economizar o animal nos laboratórios farmacêuticos. Nisso também nós estamos muito longe da ciência de verdade.

Como se caracteriza o compromisso de vocês?
Jean-Marie Le Méné: A Fundação Jérôme Lejeune não poupa esforços para promover a medicina clínica que respeita os seus pacientes, mesmo se eles são diminuídos aos olhos do mundo. Nós investimos numa pesquisa científica que estará sempre a serviço do homem e da humanidade.

Anita Bourdin

[Tradução colaboradores Zenit]

Fonte: http://www.zenit.org/article-29539?l=portuguese

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