Polêmica: as normas litúrgicas se aplicam a quem?

Doutrina Católica   

  Boa parte da divergência entre os próprios católicos, e infelizmente alguns sacerdotes, é a aplicação das normas litúrgicas para a correta celebração da Missa. Em alguns casos o zelo por parte de fiéis e sacerdotes é visto como retrógrado e inadequado para os dias atuais, e em outras situações os erros litúrgicos são vistos como abusos, absurdos e com indignação por parte de outros. Nesta situação o questionamento que nos fazemos é: as normas litúrgicas se aplicam a quem?

  Inicialmente podemos entender o porquê desta situação com as palavras de Pio XII na encíclica Mediator Dei “7 […] verificamos com pesar que em algumas regiões o sentido, o conhecimento e o estudo da liturgia são às vezes escassos ou quase nulos; de outra, notamos, com muita apreensão, que há algumas pessoas muito ávidas de novidades e que se afastam do caminho da sã doutrina e da prudência.” E também na instrução Redemptionis Sacramentum (Congregação para o culto e disciplina dos sacramentos- 2004) “[9.] Finalmente, os abusos se fundamentam com freqüência na ignorância, já que quase sempre se rejeita aquilo que não se compreende seu sentido mais profundo e sua Antigüidade.” Desta forma, compreendemos que a falta de conhecimento, estudo sério da liturgia, a falta de prudência levam a introdução de “novidades” impróprias para as ações litúrgicas.

  Temos que entender que tudo na liturgia tem um porque, um motivo de existir. E a introdução de novos elementos, sejam rituais, paramentais ou simbólicos, quando não prescritos, só podem ser reconhecidos pelo sumo pontífice.

  Um dos erros mais comuns em nossas liturgias se refere à música. São introduzidas músicas profanas, populares e até protestantes em nossas missas e ações litúrgicas. Disse-nos João Paulo II: “3.[…] sublinhei a necessidade de «purificar o culto de dispersões de estilos, das formas descuidadas de expressão, de músicas e textos descurados e pouco conformes com a grandeza do ato que se celebra», para assegurar dignidade e singeleza das formas à música litúrgica”.

  Como já dito anteriormente, falta conhecimento de muitos e aqueles que tentam argumentar a respeito muitas vezes não são considerados, pois muitos preferem músicas animadas, ritmadas, batuques e outros adjetivos, do que a música sacra que realmente nos introduz nos santos mistérios que são celebrados, por considerá-las chatas, paradas, “mornas”. Neste contexto nos fala o beato João Paulo II : “5. […] A música litúrgica deve, de fato, responder aos seus requisitos específicos: a plena adesão aos textos que apresenta, a consonância com o tempo e o momento litúrgico para o qual é destinada, a adequada correspondência aos gestos que o rito propõe. Os vários momentos litúrgicos exigem, de fato, uma expressão musical própria, sempre apta a fazer emergir a natureza própria de um determinado rito, ora proclamando as maravilhas de Deus, ora manifestando sentimentos de louvor, de súplica ou ainda de melancolia pela experiência da dor humana, uma experiência, porém, que a fé abre à perspectiva da esperança cristã.” Ou seja, a música liturgia deve atender o que se propõe, que se celebre dignamente e de acordo com cada tempo litúrgico, há momentos de músicas mais alegres e animadas e momentos de reflexão e interiorização.

  Vejamos o que diz novamente Pio XII “176. Quanto à música, observem-se escrupulosamente as determinadas e claras normas emanadas desta Sé Apostólica”. 

  No mesmo contexto vemos a encíclica Mediator Dei nos afirmar “[57.] É um direito da comunidade de fiéis que, sobretudo na celebração dominical, haja uma música sacra adequada e idônea, de acordo com costume, e sempre o altar, os paramentos e os panos sagrados, de acordo com as normas, resplandeçam por sua dignidade, nobreza e limpeza”. Entendendo: a música deve ser adequada, não profana, de acordo com as normas estabelecidas; assim como os ritos, os paramentos, e tudo o que envolve as ações litúrgicas devem seguir o que é prescrito, com o intuito de manter a dignidade do momento, a  comunhão eclesial e a unidade.

  Temos também o que a Sacrossantum Concilium afirma: “121 Os textos destinados ao canto sacro devem estar de acordo com a doutrina católica e inspirar-se sobretudo na Sagrada Escritura e nas fontes litúrgicas”.

 E por fim, temos o que o beato Papa João Paulo II escreveu na Ecclesia de Eucharistia (n.52): 

“Atualmente também deveria ser redescoberta e valorizada a obediência às normas litúrgicas como reflexo e testemunho da Igreja, una e universal, que se torna presente em cada celebração da Eucaristia. O sacerdote, que celebra fielmente a Missa segundo as normas litúrgicas, e a comunidade, que às mesmas adere, demonstram de modo silencioso mas expressivo o seu amor à Igreja. (…) A ninguém é permitido aviltar este mistério que está confiado às nossas mãos: é demasiado grande para que alguém possa permitir-se de tratá-lo a seu livre arbítrio, não respeitando o seu caráter sagrado nem a sua dimensão universal.”

  Assim podemos observar claramente, através de documentos oficiais da Igreja, que os preceitos estabelecidos pela Sé Apostólica para a correta celebração da liturgia devem ser seguidos por todos os que se dizem católicos, a fim de mantermos a dignidade, a unidade e a comunhão, seguindo as orientações do sumo pontífice, pastor universal da Igreja de Cristo, infalível enquanto tal (dogma da Igreja), demonstrando nosso respeito para com Cristo e sua Igreja.

Obs.: Em relação a música litúrgica, trataremos mais detalhadamente posteriormente em um artigo próprio.

Links para os documentos utilizados neste texto:

Carta Encíclica do Papa Pio XII : MEDIATOR DEI – sobre a Sagrada Liturgia. 1947.

Instrução REDEMPTIONIS SACRAMENTUM sobre algumas coisas que de devem observar e evitar acerca da Santíssima Eucaristia. 2004.

“Quirógrafo do Sumo Pontífice João Paulo II no centenário do Motu proprio «Tra le sollecitudini» sobre a Música sacra. 2003.

Sacrossantum concilium. Capítulo VI: A MÚSICA SACRA – Importância para a Liturgia. 1963

Ecclesia de Eucharistia. 2003. 

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