A Igreja na Idade Média – As cruzadas e a Inquisição : entendendo um pouco mais

   Doutrina Católica

    Em nosso blog estamos com uma série de posts sobre a história da Igreja na Idade Média (clique aqui para ler), utilizando os textos de Juberto Santos. Em nosso último post da série há alguns comentários sobre as Cruzadas e a Inquisição, sendo estes temas extremamente polêmicos. Desta forma gostaria de trazer mais algumas considerações a este respeito, para que fique claro aos católicos que a realidade não é como muitos tecem, que o que apresentam é uma versão distorcida de quem odeia a Igreja Católica, e que infelizmente, por muitas vezes, acabam por influencias muitos católicos.

    Ao contrário do que muitos ensinam e pensam, as Cruzadas não foram um ato de ataque e sim de defesa, e isso o historiador especialista em Cruzadas, Jonathan Riley-Smith da Universidade de Cambridge já admitiu, que na verdade as cruzadas foram uma tentativa da Cristandade de defender os Santos Lugares e Jerusalém e de auto defesa da Civilização Cristã européia atacada pelo Islam. Segundo Aquino (2007, p.140) as Cruzadas “foram expedições realizadas a partir de 1095, para libertar a Terra Santa”, sendo que tais expedições foram convocadas pelo papa Urbano III no Concíclio de Clermont (França), que suscitou que o ocidente católico defendesse os lugares santos, uma vez que os muçulmanos haviam dominado a Terra Santa e violado o Santo Sepulcro de Jesus. Eis o clamor do papa:“Homens de Deus, homens eleitos e abençoados, uni as vossas forças! Tomai o caminho do Santo Sepulcro, certos da glória imperecível que vos espera no reino de Deus. Que cada um renuncie a si mesmo e tome a cruz.” (ROPS Apud AQUINO, 2007, p.140). Esta é uma história de mais de 200 anos que contém vitórias e fracassos, mas cabe a nós católicos entendermos que esta fase de nossa história existiu para defender lugares santos, e não simplesmente para atacar e conquistar terras, como muitos defendem por aí.

    Sobre a Inquisição, sabemos que este é um assunto demasiadamente longo para se tratar em um único artigo, porém o que se pode dizer, e se é necessário saber, é que a história da inquisição é extremamente deturpada e distorcida a vontade dos inimigos da Igreja. Segundo Aquino (2007, p. 138) a Inquisição começou por causa de hereges cátaros no sul da França, que acreditavam que tudo o que fosse material era fruto do pecado e portanto, saqueavam e destruíam o que quisessem, como grandes fazendas e até eram contra o casamento. Por volta do ano 1000 com proporções ainda maiores, as ações dos hereges começaram a provocar reações do povo e dos reis, sem relação alguma com a Igreja, com execuções como fogueiras e forcas. Aquino (2007, p. 139) dá um exemplo: “[…] o rei Roberto, o Piedoso, em 1022, mandou para a fogueira, vários hereges em Orleans. O rei Henrique III, em 1052, enforcou outros, e, até meados do século XII, sem a participação da Igreja.”

    De acordo com Fedeli (2004) e Aquino (2007)  apenas em 1231 foi estabelecido pelo papa Gregório XI o Tribunal da Santa Inquisição, na qual os hereges eram julgados por um tribunal da Igreja, porém cada qual em seu país, o que tornava difícil a coordenação de Roma, uma vez que não se tinha as tecnologias de comunicação que se tem atualmente. Por este fato, muitas vezes por pressões externas, o Tribunal da Inquisição agia sem o aval de Roma, como no caso de Joana D´Arc, que foi condenada e posteriormente reabilitada pela Igreja. O Tribunal muitas vezes funcionava sob pressão, com interesses diversos ao da Igreja, fatos que “ocorrem em todos os povos e governos e nem por isso condenamos toda a nação.” (AQUINO, 2007, p.139).

    Mesmo muitas vezes funcionando sob pressão, havia um tribunal na qual antes do réu ser entregue ao poder civil, que era quem fazia as execuções, era submetido a um julgamento com quatro etapas:

“1- Prédica solene (convocação dos hereges); 2 – edito de perdão –  o réu tinha a chance de se arrepender e lhe era aplicada uma penitência; 3 – edito de fé, acusação dos hereges pelo povo; 4 – auto de fé, entrega ao braço secular, para a execução.” (AQUINO, 2007, p. 139)

Porém as coisas não são como se ouve a maioria contar. Fedeli (2004) nos trouxe informações interessantes à respeito:

Rino Camillieri, autor do livro La Vera Storia dell Inquisizione, ed. PIemme, Casale Monferrato, 2.001, afirma que em 50.000 processos inquisitoriais uma ínfima parte levaram à condenação à morte, e dessas só uma pequena minoria produziu efetivamente execuções. ( Cfr. op. cit , p. 17) Diz ainda esse autor que na principal cidade medieval –centro da heresia cátara– , em um século, houve apenas 1% de sentenças à morte (Cfr. Op cit. p. 36). Um outro autor dá o número total de condenações à morte em Toulouse, durante 100 anos: 42 sentenças. E isso no local mais povoado de hereges, na Idade Média.

Aquino (2004, p.139),  ainda traz as seguintes informações:

[…] o mais famoso inquisitor, o dominicano Bernardo de Guy, em 15 anos, proferiu 930 sentenças: entre elas houve 139 absolvições, 132 penitências canônicas, 152 peregrinações (também penitência), 307 prisões e 42 entregas ao poder civil (execuções). Quer dizer, apenas 4% de condenações […]

    A inquisição muitas vezes não estava ligada a Sé Romana, visto que os monarcas absolutos pretendiam ter poder sobre a Igreja, apropriando-se assim do Tribunal da Inquisição. Fedeli (2007) aponta que os Reis espanhóis se apossaram do Tribunal da Inquisição e os usaram para combater os inimigos do absolutismo, sendo que a partir de então a inquisição espanhola chegou aos extremos mais gritantes,  com o uso dos autos da fé, em que matavam os condenados em fogueiras públicas. O mesmo aconteceu em Portugal, na qual o Marquês de Pombal se apropriou da Inquisição contra os católicos em favor da monarquia absolutista, inclusive sobre a Igreja.

    A inquisição foi instaurada pelo zelo apostólico de cuidar da verdadeira fé, porém devido a fortes influências e dificuldades tomou diretrizes muitas vezes infundadas e incoerentes com a vontade da Sé Romana. Como no caso da Inquisição espanhola e portuguesa, que se apropriaram do Tribunal e faziam tudo de acordo com a sua vontade, e de acordo com Aquino (2007, p.140) também os protestantes fizeram uma inquisição com João Calvino que para implantar o protestantismo em Genebra em 1553 mandou o líder católico  Miguel Servet e muitos outros para a fogueira, e quem levava a culpa era a Igreja Católica.  Atualmente existem inúmeras distorções, mentiras a respeito, tudo para atacar a verdadeira e única Igreja de Cristo, como que a Inquisição durou mil anos ( se foi instaurada em 1231, teria seu fim em 2231, e estaria a pleno funcionamento…). O que existem são absurdos inventados contra a Igreja Católica por muitos que se recusam a aceitar a verdade.

__________________________________________________________________

Referências:

AQUINO, Felipe Rinaldo Queiros de. Por Que Sou Católico. São Paulo. ed.Lorena: Cléofas, 2008. (Todas as citações de Aquino foram retiradas deste livro)

FEDELI, Orlando. Inquisição e tortura. MONTFORT Associação Cultural. Disponível em:<http://www.montfort.org.br/index.php?secao=cartas&subsecao=historia&artigo=20040324003107&gt;. Acesso em: 30/12/2008 às 14:32h

FEDELI, Orlando. Inquisição Espanhola e Absolutismo. Montfort Associação Cultural. Disponível em:< http://www.montfort.org.br/index.php?secao=cart as&subseção= historia& artigo =20071016102547> acesso em: 30/12/2008 às 14:27h.

FEDELI, Orlando. Calúnias contra a Inquisição. Montfort Associação Cultural. Disponível em:<http://www.montfort.org.br/index.php?secao=cartas&subsecao=historia&amp; artigo =20040730145352>. Acesso em: 30/12/2008 às 14:04h

Anúncios

Sobre Doutrina Católica

O Doutrina Católica é um espaço mantido por fiéis leigos da Santa Igreja Católica. Estamos cansados de tantos ataques externos e tanto desconhecimento também dos próprios católicos, por isso nossa intenção com o blog é divulgar e defender a Igreja Católica. Estamos abertos a discussão e a parcerias, ajude-nos a crescer!
Esse post foi publicado em Apologia, Desenvolvimento da Igreja, Doutrina Católica, História, Polêmicas e marcado , , , , , , , , , , , , , , . Guardar link permanente.

4 respostas para A Igreja na Idade Média – As cruzadas e a Inquisição : entendendo um pouco mais

  1. Pingback: A Igreja na Atualidade | Doutrina Católica

  2. Pingback: A Igreja na Atualidade II | Doutrina Católica

  3. lorraine disse:

    nossa a historia da igreja é maravilhosa eu adorei

    • A paz Lorraine!

      Sim, a história da Igreja é realmente maravilhosa! É uma pena que a maioria das pessoas não se interessa por tal estudo e caem no conto da carochinha contada por muitos inimigos da Igreja… Nunca deixe de estudar sobre a Igreja e se apaixonarás cada vez mais!

      Em Cristo,
      Leandro.

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s