A Igreja na Atualidade

Continuando nossa série sobre a história da Igreja,  (para ler sobre a Igreja primitiva clique aqui, sobre a Igreja na Idade Média I clique aqui, sobre a Igreja na Idade Média II  clique aqui, sobre a Igreja na Idade Média III clique aqui, a Igreja na Idade média IV clique aqui, e a Igreja na Idade Média – As Cruzadas e a Inquisição : atendendo um pouco mais, clique aqui) com os textos de Juberto Santos, começamos a falar sobre a Igreja nos tempos atuais.

Já se sabe que, a partir do pontificado de João XXIII – Ângelo G. Roncalli (1958-1963) e de suas encíclicas “Mater et Magistra” e “Pacen in Terris”, a Igreja Católica passa a tomar sérias posições frente aos problemas do mundo contemporâneo. A partir daí, ela assumiu uma posição clara e definida: O Concílio Vaticano II, a encíclica Populorum Progressio, de Paulo VI, e as reuniões do Conselho Episcopal Latino-Americano (CELAM) foram momentos marcantes, pois definiram o posicionamento da Igreja em face das atuais condições de vida. Vamos analisar algumas de suas declarações marcantes. No Brasil, ocorre a Criação da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil, CNBB, a 14 de outubro de 1952, uma das primeiras a se constituir.

1º CONSELHO EPISCOPAL LATINO-AMERICANO – CELAM  (1955)

A Primeira Conferência Geral do Episcopado Latino-Americano realizou-se no Rio de Janeiro, de 25 de julho a 4 de agosto de 1955. A decisão mais importante desta conferência foi o pedido dirigido ao Papa Pio XII – Eugenio Giuseppe Maria Giovanni Pacelli (1939 -1958) para se criar um organismo que pudesse unir mais as forças da Igreja Católica na América Latina. Nasceu desta proposição o Conselho Episcopal Latino-Americano (CELAM). O Papa aprovou o pedido em 2 de novembro de 1955.

O CONCÍLIO VATICANO II (1962-1965)

Iniciado em 11 de outubro de 1962, ele perdura até 8 de dezembro de 1965. Ele foi o XXI Concílio Ecumênico da Igreja Católica Apostólica Romana. Ele foi criado visando  discutir as ações da Igreja nos tempos atuais. Na Homilia (sermão proferido durante as Missas)  de abertura do CVII aos padres conciliares, o Papa da época expõe sua intenção: “Procuremos apresentar aos homens de nosso tempo, íntegra e pura, a verdade de Deus de tal maneira que eles a possam compreender e a ela espontaneamente assentir. Pois somos Pastores…” (João XXIII, 1962).

Dentre as grandes decisões vistas nesse concilio, podemos citar: O culto em língua nacional (a Missa em Latim deixa de ser executada obrigatoriamente); à utilização dos meios de comunicação social (cinema, televisão, rádio, jornais…); liberdade de consciência; a criação das Pastorais; reformas litúrgicas; a ampliação dos leigos na vida da Igreja; nova codificação do Direito Canônico;  a definição de uma igreja democrática e ecumênica. O papa Paulo VI assume após a morte de João XXIII após a Primeira cessão do Concílio.

A CAMPANHA DA FRATERNIDADE (1963/1964)

Em 13 de dezembro de 1963, a Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) cria a “Campanha da Fraternidade – CF” com a missão de debater temas atuais e urgentes perante a sociedade. Seu objetivo é despertar a solidariedade dos seus fiéis e da sociedade em relação a um problema concreto que envolve a sociedade brasileira, buscando caminhos de solução. A cada ano é escolhido um tema, que define a realidade concreta a ser transformada, e um lema, que explicita em que direção se busca a transformação.  Nos primeiros anos da Campanha, a Igreja buscou trazer os fiéis para o interior das comunidades. Percebe-se isso amplamente ao ver os lemas usados:

•             CF 1964 – Lembre-se: Você também é a Igreja

•             CF 1965 – Faça de sua paróquia uma comunidade de fé, culto e amor.

•             CF 1966 – Somos Responsáveis uns pelos outros

•             CF 1967 – Somos todos iguais, somos todos irmãos

•             CF 1968 – Crer com as mãos

•             CF 1969 – Para o outro, o próximo é você!

•             CF 1970 – Ser Cristão é Participar

•             CF 1971 – Reconciliar

Tem como objetivos permanentes: despertar o espírito comunitário e cristão no povo de Deus, comprometendo, em particular os cristãos na busca do bem comum; educar para a vida em fraternidade, a partir da justiça e do amor, exigência central do Evangelho; renovar a consciência da responsabilidade de todos pela ação da Igreja na Evangelização, na promoção humana, em vista de uma sociedade justa e solidária – todos devem evangelizar e sustentar a ação evangelizadora e libertadora da Igreja, daí o destino da coleta final: realização de projetos de caridade libertadora e manutenção da ação evangelizadora.

A CF foi passando a atingir, a cada ano, um problema determinado e urgente que precisa do esforço de ação pastoral conjunta no Brasil. Temas como Educação, Saúde, Questão Agrária, Reconciliação, Família, Crianças, Idosos, Água, Violência, Juventude, Meios de Comunicação, Trabalho, Fome, Desigualdade Social, Solidariedade e Paz foram destacados.

2º CONSELHO EPISCOPAL LATINO-AMERICANO (1968)

O II Conselho Episcopal aconteceu em Medelin, Colômbia, em 1968, quando foi fixado o novo posicionamento da Igreja em face das condições socioeconômicas e político-religiosas da América Latina. Em documento episcopal foram analisadas as explosões demográficas, o analfabetismo, a má distribuição de riquezas – como a concentração da propriedade das  terras nas mãos de uma minoria –, a dependência ao capital estrangeiro e as tensões entre as classes e os países latino-americanos, bem como as tensões internacionais. O documento apontou a necessidade de promover uma radical modificação nas estruturas políticas, econômicas e sociais, devendo a Igreja comprometer-se nesse processo: assinalou a marginalização política do povo e as formas de opressão de grupos e de setores dominantes. Insistiu em que a Igreja devia se engajar na promoção de uma educação libertadora, na instauração de uma justiça e paz, na ajuda aos oprimidos para conhecer e lutar pelos seus direitos, e no estímulo a todas as iniciativas que contribuíssem para a formação do homem. Há a opção preferencial pelos pobres, envolvimento com os problemas político-sociais, uma educação conscientizadora, dentre outros.

Continua…

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