Formação – Ficha 10: Uma Igreja Ministerial (3ª LG)

Constituição Dogmática LUMEN GENTIUM 

Sobre a Igreja: A Luz dos Povos, a Luz das gentes 

Uma Igreja Ministerial (LG 03)

Esta terceira ficha, nomeada ‘Uma Igreja Ministerial’, aborda os capítulos III, IV e VI da LG, respectivamente, a ‘Constituição Hierárquica da Igreja, ’Os Leigos’, e ‘Os Religiosos’. A Constituição não deseja distinguir uma Igreja clerical de outra laical, mas, sim, mostrar que ela é toda ministerial, distinguindo apenas as diferentes funções na forma de servir aos irmãos como ao próprio Senhor, pois, segundo o Evangelho, é maior aquele que mais serve (Lc 22,26), justificando o titulo da ficha.

No capítulo III, dedicado à ‘Constituição Hierárquica da Igreja’, a LG busca a fundamentação bíblica e teológica para explicar o Sacramento da Ordem, realçando a função do episcopado (Bispos), pois, sobre a vida e o ministérios dos presbíteros (Sacerdotes), o Concílio dedica um documento próprio: o Decreto ‘Presbyterorum Ordinis’.

Cristo instituiu a Igreja e os vários ministérios destinados ao bem do seu Corpo Místico como um todo. Instituiu em Pedro o perpétuo e visível princípio e fundamento da unidade de fé e comunhão, constituindo o Apóstolo como seu líder, enviando-o com os demais para cumprir a missão de evangelizar todos os povos até os confins da terra (LG 18). Missão, esta, que pôde ser cumprida após o Pentecostes, ocasião em que o Espírito Santo distribuiu vários dons e carismas aos Apóstolos e discípulos e, ao longo do tempo, aos seus seguidores, os novos evangelizados (LG 19); e que continua até o fim dos séculos, pois a mensagem do Evangelho foi, é e será o princípio de toda a vida da Igreja, através dos tempos.

A distribuição de ministérios de serviços é narrada em Atos dos Apóstolos (6,2-6; 11,30; 13,1; 14,23; 20,17) mostrando a instituição dos graus da ordem: episcopado, presbiterato e diaconato. Assim entende-se que, da mesma forma como Pedro presidia na Igreja nascente o grupo dos Apóstolos,  também a Igreja tem no Sumo Pontífice Romano, aquele que a preside como sucessor de Pedro e que está intimamente unido aos demais Bispos do mundo inteiro, formando o Colégio Episcopal. Na pessoa do Bispo, assistido pelos presbíteros e diáconos, é o próprio Senhor Jesus Cristo, o Pontífice Supremo, que está no meio dos fiéis e permanece caminhando com o seu povo (LG 20).

A missão do Bispo se constitui em ensinar todas as gentes a pregar o Evangelho a toda criatura; em santificar através da administração dos sacramentos, principalmente da Sagrada Eucaristia; e também em governar através da ação pastoral e administrativa (LG 21-27), para as quais conta com a colaboração dos presbíteros e dos diáconos, a quem confia legitimamente o cargo de seu ministério pelo Sacramento da Ordem (LG 28/29).

Com o Vaticano II, os Bispos se aproximaram muito do povo e assumiram, explicitamente, a vida pastoral em suas dioceses. Especialmente na América Latina, as Conferências Episcopais pós Concílio deram um novo impulso pastoral, e no Brasil, igualmente, a CNBB empenhou-se em fortalecer a unidade episcopal e traçar linhas organizativas da pastoral na Igreja. Significativo também foi a ação individual de alguns Bispos que empenharam seu ministério para implantar as orientações do Concilio e tornar a Igreja mais servidora.

 No capítulo IV, a LG se dedica ao estado dos fiéis que são denominados leigos, homens e mulheres que se dispõem a assumir o ser Igreja em funções eclesiais e no mundo. Os Bispos reconhecem que não foram instituídos para sozinhos assumirem toda a missão quanto à salvação do mundo, e o quanto os leigos, com suas atribuições e carismas, contribuem para o bem de toda a Igreja, de tal maneira que cada um, a seu modo, coopera unanimemente na tarefa comum” (LG 30).

 O apostolado do leigo se dá no mundo secular, naqueles lugares em que a Igreja, só por meio deles, pode se fazer sal da terra. Consagrados a Cristo no Espírito Santo, possuem uma vocação admirável e são dotados de capacidade para que o Espírito produza neles frutos sempre mais abundantes, através de seu modo de vida e de seu testemunho nas estruturas humanas (LG 35-37).

O documento considerado mais significativo sobre a atuação dos leigos, publicado vinte anos após o Concílio Vaticano II, em 30/12/1988, é a Exortação Apostólica de João Paulo II, ‘Christifideles Laici’ (CfL) – Os fiéis leigos – Sobre a vocação e missão na Igreja e no mundo,  que realça a importância dos leigos na Igreja não como ‘agricultores que trabalham na vinha, mas como parte  dessa mesma vinha: “Eu sou a videira, vós os ramos”, diz Jesus (Jo 15, 5) (CfL 8). Esta afirmação realça que a índole secular da vocação leiga é teológica e não apenas sociológica, pois na presença do leigo ou leiga no mundo pode se contemplar a presença da Igreja (LG 31).

 Na América Latina as Conferências do CELAM deram grande destaque aos Ministérios Leigos e, especialmente, a Conferência de Puebla dedicou setenta e dois parágrafos para refletir sobre a presença do leigo e leiga na Igreja e no mundo. Destes, dezessete dissertaram sobre as mulheres, reconhecendo que elas são maioria nas comunidades, cuja presença tende a crescer. Uma realidade prática se comprova na maioria das CEB’s onde os leigos e, especialmente as mulheres, animam e assumem os mais diversos ministérios, ainda que não oficialmente.

 No Brasil,  por ocasião dos 10 anos da publicação da ‘Christifideles Laici’, a CNBB lançou, em 1999, o Documento 62 – “Missão e Ministérios dos cristãos leigos e leigas”, que pode ser visto como uma explicitação da Exortação Apostólica que, por sua vez, despertou a criação de Conselhos de Leigos em muitas dioceses e o desenvolvimento de belos trabalhos. Da mesma forma, o Documento de Aparecida, de 2007, ao insistir na grande missão latino-americana, abre um  grande espaço para a participação dos leigos na Igreja e no mundo, sem os quais a missão dificilmente conseguirá avançar.

  Quanto à participação ministerial dos religiosos na Igreja, o capítulo VI se dedica a estes que vivem a consagração de suas vidas como um sinal do Reino de Deus através dos carismas das várias famílias religiosas.

 Fonte: Arquidiocese de Campinas – Ambiente Virtual de Formação

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