O Canto a serviço da liturgia

Musica sacraEm um de seus artigos sobre liturgia e música, o então Cardeal Ratzinger citou e comentou uma reflexão de Mahatma Gandi:

 “No mar vivem os peixes –  e são mudos; Os animais, na terra, gritam; Mas os pássaros, cujo espaço vital é o céu, cantam. O homem, porém, participa de todos os três: tem em si a profundidade do mar, o peso da terra e a altitude do céu e por isso lhe pertencem também todas as três qualidades: o silêncio, o grito e o canto.”
 

O homem, porém, distanciando-se de Deus, percebe apenas sua parte terra, gritando o tempo todo, querendo transformar tudo em sua terra. Eis então, a importância da liturgia e do canto (que estão intima e intrinsecamente ligados), que nos religa a Deus, eleva os corações, rompe com a materialidade da vida humana e conecta os nossos corações acima da banalidade.

O Canto está presente na história da salvação desde o Antigo Testamento, presente na vida do Povo de Israel, a Bíblia está cheia de referências a este fato e o mais evidente deles são os Salmos, que foram feitos para serem cantados, não lidos, os Salmos são um importante testemunho da forma com que o povo louvava a Deus. Assim como no Novo Testamento encontramos várias passagens referentes ao canto e aos salmos (At. 16,25, Col. 3,16, etc.)

Herdeiros desta tradição, mantemos o canto como parte de nossa liturgia, do serviço sacro, passando por diversas fases como a do canto gregoriano, da polifonia e até aos nossos dias nas mais diversas formas e estilos musicais.

 Cantar com arte

 Dos tempos antigos temos o provérbio: “Quem bem canta, reza duas vezes”. Este é um provérbio deturpado, pois muitos esquecem do bem. Não basta cantar, devemos cantar com arte e leveza, para que nossos corações possam se elevar os céus.

O Papa Bento XVI, falando da “Arte ao serviço da celebração” lembra: “Como todas as expressões artísticas, também o canto deve estar intimamente harmonizado com a liturgia, colaborar eficazmente para o seu fim, ou seja, deve exprimir a fé, a oração, o enlevo, o amor por Jesus presente na Eucaristia”. João Paulo II, também nos deixou uma reflexão a respeito: “[…] há de ter a preocupação com sua qualidade [do canto sacro], tanto no que se refere aos textos quanto as melodias” e em seu Quirógrafo sobre música sacra nos diz: “ Não pode existir uma música destinada à celebração dos sagrados ritos que não seja, antes, “verdadeira arte” […]”

Cantar com arte é dizer bem o texto, é respeitar o ritmo da frase, respeitar o ritmo e a dinâmica das palavras, respeitar o andamento dos cânticos em seus momentos adequados. É respeitar a afinação e a música como foi escrita.

 Cantar com alma

 Cantar com alma é fundamente, é contar com fé, ânimo e convicção, como diz o salmo 32 “Cantai-Lhe um cântico novo, cantai-Lhe com arte e com alma”

Diz-nos Santo Agostinho:

“Cada qual pergunta como há-de cantar ao Senhor. Canta para Ele, mas não cantes mal. Deus não quer ouvir um cântico que ofenda seus ouvidos. Cantai bem, irmãos! Se te pedem que cantes para um bom apreciador de música de modo que lhe agrade, não te atreves a cantar se não tens preparação musical, pelo receio de lhe desagradar (…) Então tu dirás, quem se atreverá a cantar para Deus, tão excelente conhecedor de cantores, juiz tão completo e tão bom apreciador de música? Tranquiliza-te. Ele mesmo te sugere a maneira como Lhe hás-de cantar. Canta com júbilo.”
 

Portanto, meus irmãos, zelemos pela qualidade de nossos cânticos, para que agrademos a Deus, e demos a Ele o que realmente merece, o nosso melhor. Zelemos de nossos cânticos, para que com ele possamos elevar nossos corações, e ajudar nossos irmãos a se elevar a presença de Deus e louva-lo com arte, alma e coração.

Em Cristo,

Leandro Nascimento

Blog Doutrina Católica

 *baseado no artigo : Cartageno, Antonio. Cantar como? Com arte e com alma. Boletim de Pastoral de Música Litúrgica, Julho-Dezembro 2009.

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